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quarta-feira, 19 de junho de 2019

repúdio poético

'jamais entraria para a política' ex-juíz, atual ministro

vendo o ministro da justiça
na CCJ a se explicar
mas ele não parece tão ciente
dos crimes a justificar

tido como ídolo nacional
muitos senadores presentes
gostariam que o mesmo
nem estivesse por lá
falam de malas de dinheiro, corrupção
como se o ministro fosse vítima
personagem inocente
dentro de uma grande conspiração

a grandeza do humano
se confunde no caminhar
associam virtude à ídolos políticos
envolvidos em evidente ilicitude
que seguem a nos ludibriar

enquanto tramam nos bastidores
a vida de milhões de eleitores
sabem o discurso a adotar

sua culpa não cabe tanto
quanto a presunção
de no 'lado certo' estar
mas a história é ciência
não perdoa as falsidades
nem qualquer inconsistência
retrata a verdade
do 'heróico caminhar'

efêmero é o poder
eterna é a história
não serão esquecidos
em sua intencionada trajetória.

terça-feira, 18 de junho de 2019

comum é todo dia


vivendo de adiar
prazos
até a própria aspiração
soa como poema de deprimido
mas é apenas a contramão


vida curta
há muito que chama as vias 
para a auto-atenção 
se não agora, quando?

diz essa pobre intenção 
de estar pronto
quando se apresenta a questão

gostaria que não fosse o mundo
a me dizer
as coisas que eu deveria ser
ou tudo que preciso saber

mas já me disseram
o que mais posso fazer?
se esse rodopiar de vidas já assumiu
a verdade a prevalecer 

pois que não prevaleça a verdade
que prevaleçam verdades
frente a complexidade
que há tanto se apresentou

se a vida é para todos 
e pertence a cada um
que seja particular então
esse generalizado

entendimento de comum



                                                     poema autoral.

El mundo

vai o mundo girando
em volta de si mesmo
coisa tal que me recuso
a repetir do mesmo jeito

mas o mundo tem propósitos
maiores que meu ego
enquanto lhe venero
contemplo minha pequenez

viver à la mundo
é um projeto de si mesmo
enquanto o mundo não espera
sequer que se dê jeito

dizem sim
que o propósito dessa vida
é viver em completa harmonia
com o coração do próprio peito

mas a harmonia
não quer se fazer perceber
reside dentro de nós
seu único projeto é fazer valer

 na confusão
entre harmonia e ganância
ganha a sociedade meritocrática
que associa seus propósitos
à boa aventurança

                                                 poema autoral.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

observância do dia

o dia raiou
subiu a colina
fez presença
esquentou

amornou a cozinha
alimentou a quem devia
cumpriu sua rotina
já até se afugentou

levantei por essa hora
há tempos que o sol
com todas as forças envolvidas
despertou
e minha cama remexida
cortina que há muito se fechou

me levanto mais um dia
em plena agonia
mais um dia de solidão
de objetivos
planos e compromissos
tudo que se agendou
componentes da equação

me levantei para o dia
e as fagulhas e fogueiras
se revezam em turnos
dentro dessa persona lareira

um dia em que
entre tanto furor
minhas próprias forças envolvidas
mostram sua cor

entre tons quentes e frios
explano todo esse ardor
a alma cansada
uma força e outra que restou

amanhã é outro dia
de dizer
que o sol por sua conta
já se fez aparecer

quanto à minha pessoa
viva nesse exato instante
vivo com a morte do futuro distante
essa como única garantia

acordando e levantando
eis que sigo andando
tentando fazer valer o dia

                                                       Poema autoral.

domingo, 16 de junho de 2019

Mari Melodia

uma vida de emoção
tem a música como sintonia
quase que o mesmo rádio
todo santo dia

mas que santo dia
de estar conectado
com a melodia
entristecida, melancólica
letras num turbilhão
cumprem seu propósito
ao partir meu coração

em meio a multidão
eu e o som do violão
que toca, rompe
toda essa declarada invasão

uma vida de emoção
não existe longe da melodia
raíz crescente
ela é o próprio raiar do dia

de encontro com a razão
não há nada que não toque
os sons dessa bela canção

                                                      Poema autoral.

Saideira Colapsal

Hora de expressar os sentimentos
Aventurar-me na exposição
Hora que eu me dei
E que ninguém me tira da mão

De minha parte
Não posso admitir meu lugar
Minha condição, minha solidão
Me darei a hora que eu precisar
Sem a ninguém requisitar
E mesmo assim receber dezenas 
do maldito parecer: 
opinião alheia de prontidão

Fera ferida, sou bicha perseguida
O mundo não perdoa
Nem a você, nem mais ninguém
As regras e conceitos quanto ao termo
Foram modificadas a tempo de não haver erro
Pra que triunfasse quem tinha mais
E no fim era dinheiro

Dia derradeiro, de devaneio
Me recurso a divagar
O mundo corre e hoje é tempo
De chegar sim
No seu próprio “Lá”

                                                                             Poema autoral.

sábado, 15 de junho de 2019

The Endless Enigma

O Enigma Sem Fim - Salvador Dalí (1938)


Acordei
sentindo tanto quanto devia
sabendo menos que podia
mente imersa na filosofia
e o coração a navegar

E que beleza tem os filósofos
há tanto nos primórdios
que o tempo não apagou
e a memória insiste em reavivar

Mas eles me dizem
que não sei filosofar
pois que um dia acordem então
sentindo
todas as coisas
que eu não consigo falar.

                                                                    Poema autoral.

Você está bem (.)(?)

você está bem
está à mesa 
tem saúde, ar nos pulmões, 
sangue nas veias 
tem feijão, purê 
e talvez até um pouco
do que mais quiser comer

Eis que insisto
por mais essa vez
no meu pesado coração
coração de emoção
que arrasta e fere
no asfalto, no que é sério
no que é bruto, no que é térreo  

esse coração tem cores 
que o mundo ainda não contemplou 
enquanto sigo firme 
logo logo desabou 

desabei nas alegorias 
nos clichês de alegria 
na vida vadia 
no que desandou 

danada agonia
que vinda, acaba que fica 
na ossada
no que restou 

esse não é um poema sobre mudança de humor 
é uma leve pena de andorinha 
um vislumbre 
de toda essa dor

mesmo que o mundo não parasse agora 
ainda me perguntaria (e pergunto)
o que restou  

                                                                       Poema autoral.