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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

A obsessão está sempre armada


Queria um amor
Desses que tiram o ar
Desses que levam as forças
Pernas bambas a falhar.

Coração batendo forte
Mãos suadas, cabeça a girar
Aquele amor que te leva longe
Sem sair sequer do lugar

Mas já estive lá
E as apontadas fraquezas
Apenas anularam a riqueza
Do que tínhamos a compartilhar.
O fim da beleza
Antecipou o que se mostrou
O inevitável separar

Então agora que eu peça por um amor
Mais leve de levar
Que o coração bata forte e não tire a certeza
De que temos apenas a agregar

Nem te conheço
E já amo profundamente seu pesar
Suas alegrias, alergias, agonias
Cada traço da sua face, seu jeito de andar

Te amo profundamente
Porque sei que vamos nos encontrar
Não sei quando e largo do controle
De sua presença na minha vida estar

O que vai suceder
Pertence a quem possa responder
Destino, acaso, céus
De onde quer que venha você

Te aguardo com calma
Porque a calma é a única realidade
Viável de se viver.
Qualquer amor desesperado
Se confunde logo com o desafeto
De quem apenas quer ao outro
Dominar e pertencer


Mar ane Rocha.



quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Curta solidão


Deixar tudo pra trás
Simplesmente permitir que pare 
De fazer morrer.

Perdoar a mim mesma,
Buscar continuar.
Talvez só não terminar tão longe 
De entender o viver e estar.

Afastar qualquer rancor.
Entender o que causa o ardor 
E por que é tão fácil gostar de todos
E tão difícil de sentir, por mim mesma,
Semelhante amor.

Mar ane Rocha.

Romantizar é fugir da realidade (onde compra?)


Não aguento sequer mais um poema entristecido
Mas sendo objeto único da alma:
Essa dor do não concebido,
A caneta em si não manifesta calma.

Poesia única de romance
Escrevi pra quem eu nem devia
Estar ou seguir a romantizar.
As decisões certas que só existem 
Na certeza das decisões erradas,
Tão mais fáceis de tomar.

Os dias têm sido corridos
Se a confusão é o que vamos contabilizar
Encontros tortos, egos elitizados
Peças do xadrez em uma partida falsa
Que começou corrompida
E agora não sabe que outro rumo adota.

Tudo se repete,
Até entre os que se negam a repetir.
Os erros da humanidade
Também existem por aqui.

Famoso, formoso
Como quiser aparecer
Suprema ironia da vida
São os detalhes do coração
Que apenas no final, na morte
Insistem em se fazer compreender.


Mar ane Rocha.

Capitã sem bússola


Viver é não cansar de navegar.
Se por vezes me assusto,
Logo ponho os braços,
Novamente, a comandar.

Esse barco quer ir longe,
Sua capitã é uma pirata.
Gosta de calor, batalha e prata.

Viajante dos mares obscuros, 
Sobrevivente das tempestades.
Olhar taciturno de quem, há muito,
Também deixou pelo mundo irmandades.

Não nego a dor da aventura
O moralismo na censura
Desse questionado caminhar

Ser resistência
É manter na consciência
O que verdadeiramente importa.
A coisa primeira,
Primário sufoco,
De quem sufoca.


Mar ane Rocha.