você está bem
está à mesa
tem saúde, ar nos pulmões,
sangue nas veias
tem feijão, purê
e talvez até um pouco
do que mais quiser comer
do que mais quiser comer
Eis que insisto
por mais essa vez
no meu pesado coração
coração de emoção
que arrasta e fere
no asfalto, no que é sério
no que é bruto, no que é térreo
esse coração tem cores
que o mundo ainda não contemplou
enquanto sigo firme
logo logo desabou
desabei nas alegorias
nos clichês de alegria
na vida vadia
no que desandou
danada agonia
que vinda, acaba que fica
na ossada
no que restou
no que restou
esse não é um poema sobre mudança de humor
é uma leve pena de andorinha
um vislumbre
de toda essa dor
mesmo que o mundo não parasse agora
ainda me perguntaria (e pergunto)
o que restou
Poema autoral.
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