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domingo, 29 de março de 2020

E vai-se o tempo
Como uma pluma
Se desfaz no vento..
Sua persistência que habita
Apenas a memória
Que dele se tem.

Esse passado que nos largou
Apenas a mão de transformá-lo,
Não faz permanecer a lembrança que se quer,
Ou apagar o que faz envergonhar-nos.

Mas transformar o passado
É apagar também a lição.
Maldita fonte de aprendizado
São todos os erros de ontem,
De amanhã, de antemão.

Vai-se o tempo
Sem nos dizer
Quão rápido há de passar
O tempo que temos, ou quanto
Ainda se há de perder.

A virtude de entender o tempo
É perceber o agora,
Momento de única palpável certeza
Em toda nossa trajetória.

Os pássaros cantam hoje,
Cantarolaram ontem,
Provável que venham
E cantem amanhã.

Mas para ouvi-los,
E aos seus cantos inebriantes
Delicados, nunca sombrios
E de uma felicidade constante,
É preciso preparar os ouvidos
Ouvindo o cantar de agora
Sem dele apenas lembrá-lo,
Ou aguardá-lo na aurora.

Os pássaros existem nesse mundo,
Nesse tempo, nessa brecha,
Não onde ou quando lhe calhe esperar.
Esperar é escapar da mão a flecha.

Deixo esse ode ao presente
Para que nos livremos
Do sofrimento.
Para os que sofrem
Pela fluidez do tempo.

Tão bom é viver
Sabendo o tempo que se tem.
Esse tempo que é o agora,
Nunca além do que temos,
Nunca depois do tempo.

Mar Ane.


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