escrever é esquecer
nos dizia Fernando Pessoa
que da vida que entoa
significados e mágoa
a arte é sempre refúgio
as considerações do coração
considerações da emoção
que são transpostas no texto
em declarada intenção
nos entristecem
atordoam, mistificam
porque o ser humano
é sempre a proa
do barco da completude
da experiência que soa
infinita, efêmera,
eco que para sempre ecoa
pela arte, digo sim
digo existir, digo renascer
é na arte que também me esbaldo
deixando um pouco de mim
em cada amanhecer
ao anoitecer, o coração é só tristeza
porque da vida que se vive
a agonia é dada certeza
as lembranças que vivem
tão profundamente
em cada mente e em cada melodia
nos levam para a imensidão
profundamente desesperando em apatia
e de viver e cantar,
e ouvir, aprender e sonhar
vivo corações partidos
tentando recompor
esse milagre de viver enquanto
há muito
já não sei quem sou
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