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terça-feira, 1 de junho de 2021

sons do eco

 

escrever é esquecer

nos dizia Fernando Pessoa

que da vida que entoa

significados e mágoa

a arte é sempre refúgio


as considerações do coração

considerações da emoção

que são transpostas no texto

em declarada intenção

nos entristecem

atordoam, mistificam

porque o ser humano

é sempre a proa

do barco da completude

da experiência que soa

infinita, efêmera,

eco que para sempre ecoa


pela arte, digo sim

digo existir, digo renascer

é na arte que também me esbaldo

deixando um pouco de mim

em cada amanhecer


ao anoitecer, o coração é só tristeza

porque da vida que se vive

a agonia é dada certeza

as lembranças que vivem

tão profundamente

em cada mente e em cada melodia

nos levam para a imensidão

profundamente desesperando em apatia


e de viver e cantar,

e ouvir, aprender e sonhar

vivo corações partidos

tentando recompor

esse milagre de viver enquanto

há muito

já não sei quem sou


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