Seus cachos negros
Seu
lábio quente
Cantoneiros
De
uma vida boa
Vida
de gente que sente
Vida
que foi sugada
Pelos
mesmos lábios
Que
a atordoam
Ainda
que, por aqui,
Continue
trovejando
Sinais
dessa vida boa
Como
se
Enquanto
tirasse
Também
deixasse
Um
pouco do que é paz,
Um
pouco do que é ardor.
No
peito fica a saudade
O
seu olhar, nós embaixo do cobertor.
Me
recursaria a seguir te romantizando
Mas
romântica que sou
Não
consigo deixar de pensar
Se
nossos corações juntos estivessem
Nossas
mãos, mentes
e corpos enlaçados
O
que agora perece
Ainda
viria a florear?
Se
nos espera um jardim,
Como
poderia deixar de regar?
A
distância sufoca
Impede
nosso olho no olho
Os
malabares do corpo
A
ansiedade pelo broto.
Sufoca
até o estorvo
De
não nos entendermos
Enquanto
aprendemos com isso
Um
com o outro.
Distância
não cria raiz,
Conexão
ou crescimento.
Deixe
a semente longe do solo
E
logo não terá mais alimento.
O
castigo é a distância
E
nada se faz perceber,
Tamanha
ironia,
Com
tamanha presença de ser.
A
distância palpável corrói
Não
passa despercebida
E
é ela mesma
Cada
hora e minuto do dia.
Meu
amor por você,
Sinto
que não é a saudade,
Distância,
estrada, contratempo,
Que
esmorecerá.
Enquanto
sigo te adorando,
Sigo
sentindo e com isso, percebo estar.
Sentindo
prazer
Que
reside na lembrança de você
No
que podemos ser
Prazer de alimentar
Mundos
inteiros de ilusão.
Porque
a nossa comunhão
Também
reside em pesar.
Se
acredito que queira estar contigo,
Que
queira estar comigo,
Logo,
logo deixo de achar.
Nossas
atitudes nos deixam em lugares que, a princípio,
Não
queríamos ou percebemos estar.
Se
tudo está certo, logo, logo não o está.
Eu
não deixo, você não deixa,
Ninguém
deixa, quem sabe quem?
O
desejo de te garantir companheirismo
Bençãos cotidianas de energias reais
Está
frente as tantas vezes
Que nos encontramos nos
erros mais banais.
Mas
pensamentos mesquinhos
Sugam
mais a alma que a distância
Que
nossa boa aventurança
Resista
ao mal estar.
Mal
estar de quem acha que sabe,
De
quem se deixa levar.
De
quem julga e, com isso,
Pensa apenas em ganhar.
Assumir
o controle também se trata de perdoar.
Humanos
que somos
Nos
encontramos mais que prontos
Para
navegar, sim
Mas também para o inevitável naufragar.
Mar ane.
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